Tendências para o Compliance em 2023.

A pandemia nos obrigou a repensar a forma como trabalhamos e como resultado tornou-se obsoleto e irretornável o modelo de trabalho anterior. Mal superada a pandemia, uma guerra eclodiu na Europa, que não só vem causando sofrimento e destruição local, como impactou o mundo todo com insegurança e problemas com elevação de preços e de distribuição de matéria-prima, e mais uma vez, medidas mundiais inéditas foram tomadas para combater os efeitos da guerra.

O Brasil passa por um momento de forte tensão e polarização política, o que gera um clima de incerteza em toda a econômia. Por este motivo, caberá a sociedade e as organizações adaptarem-se novamente para lidarem com mais este cenário adverso. O ano está começando, e é a hora de planejar como serão os próximos meses, aplicar as estratégias adequadas com base nas lições aprendidas em 2022 corrigindo os erros do passado. Neste sentido, tendo em vistas os desafios supracitados apresento abaixo as principais tendências es estratégias que deverão ser consideradas nas agendas das organizações para o ano de 2023.

Transformação Digital

O estudo KPMG CEO Outlook 2022, apontou que 88% dos CEOs brasileiros têm uma estratégia agressiva de investimento digital e 82% possuem um plano para lidar com um ataque de ramsoware.

Diante dos desafios em se fazer negócios e entendendo que o mundo está cada vez mais digital, é importante que novas soluções tecnologicas sejam aplicadas também as linhas de defesa da governança corporativa. Por isso, em 2023 investir em tecnologia e soluções digitais que otimizam os processos do Compliance, como por exemplo a gestão dos riscos, politicas, treinamentos, canal de denuncias, do relacionamento e avaliação de fornecedores será essencial para que os profissionais possam se dedicar ao que realmente importa.

Aliado a isso, ter a disposição mecanismos que contribuam na análise destes dados proporcionará significativos ganhos na definição de estratégias preventivas as organizações.

Conhecer melhor a cadeia produtiva

O mesmo estudo da KPMG apontou como principais estratégias para a cadeia produtiva o monitoramento profundo da cadeia e a diversificação dos fornecedores, para 26% e 32% dos entrevistados respectivamente.

Adicionalmente, há uma tendência mundial e que reverberará também nos próximos anos, quanto o avanço dos legisladores para que as organizações lidem de forma mais rigorosa com seus terceiros e com a cadeia produtiva. Ter um forte programa de conformidade da porta para dentro já não será mais suficiente, conhecer os terceiros e monitora-los se tornará chave para o mundo dos negócios, além de em muitos casos ter que educa-los e desenvolve-los. Algumas perguntas que deverão ser realizadas a cadeia de fornecimento são:

  • O que eles fazem? Como fazem? Com quem fazem?
  • Quais são as práticas de direitos humanos?
  • Onde obtêm suas matérias-primas?
  • Qual é a posição sobre o trabalho infantil?
  • Eles são ambientalmente corretos?
  • Eles têm controles adequados?

Em 1º de janeiro de 2023, a Lei Alemã de Due Diligence da Cadeia de Suprimentos entrou em vigor. Ela fará com que todas as empresas com sede, principal local de negócios ou sede administrativa na Alemanha cumpram com os direitos humanos fundamentais e certas disposições ambientais em suas cadeias de suprimentos. A Suíça, a Holanda e a União Europeia também têm rascunhos desse tipo de regulamentação em andamento. Não tardará até que esta exigência seja adotada em nível mundial.

Incorporar o ESG ao Programa de Integridade

74% dos CEOs acreditam que o público procura por empresas que enfrentam os desafios coletivos como inclusão, diversidade, equidade, mudança climática e justiça social e 86% dos respondentes entendem que há uma demanda significativa dos stakeholders por mais relatórios e transparência sobre o tema.

As pressões em ESG vem de todas as direções, de clientes, parceiros, funcionários, investidores e sociedade como um todo, por isso a exigência de implementação destes aspectos na governança se tornou necessidade para a sobrevivência corporativa.

Em resposta a esta nova realidade e que repercurtirá o ano, foi promulgado o Decreto nº 11.129/2022, mais alinhado à maturidade do Compliance atual, que vai além do combate e prevenção aos ilícitos como lavagem de dinheiro, fraudes financeiras/contábeis ou corrupção em geral, e passa a exigir uma maior amplitude nos aspectos relacionados a ética e integridade corporativa, aumentando assim o escopo dos programas de Compliance.

Outro reflexo deste momento é a Lei nº 14.457/2022, que a partir de março obrigará empresas que tenham CIPA a criarem mecanismos de recebimento e acompanhamento de denúncias, bem como para apurar os fatos e aplicar sanções em casos de assédio sexual ou outras formas de violência no trabalho. Estas empresas também deverão realizar treinamentos de orientação, conscientização e sensibilização para todos os funcionários.

Conclusão

Executivos e Compliance Officers deverão olhar com bastante carinho em 2023 para o cliente, que cada vez mais está consciente sobre seu consumo. Isso vale para todos os mercados B2B, B2C e B2G. Diminui o número de pessoas dispostas a expor seu trabalho ou sua vida a práticas consideradas inadequadas.

O consumidor passou a observar se as práticas trabalhistas das organizações respeitam os direitos humanos ou se seus processos produtivos são sustentáveis, com redução da utilização de recursos naturais e minimização dos impactos ambientais.

Divulgar os resultados em ESG alinhados à ética e à integridade previnirá que casos de greenwashing ocorram. Pois estes eventos já não possuem mais espaço no mercado e podem ser considerados como um tiro no pé para as empresas que exageram – e até mentem – sobre suas conquistas. Ao Compliance, compete criar mecanismos que previnam que comunicações e divulgações ilegitimas aconteçam.

Outro ponto a ser considerado é sobre a necessidade de reavaliar os riscos e atualizar os processos e controles à esta nova realidade, visando reforçar as políticas para garantir a sustentabilidade e perenidade dos negócios.

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